Split payment: o que é e como vai afetar o caixa da sua empresa

Split payment: o que é e como vai afetar o caixa

Imagine vender R$ 10 mil para outra empresa e, no momento em que o Pix cai, uma parte desse valor já seguir direto para o governo. É isso que o split payment da Reforma Tributária vai fazer com a CBS e o IBS, os novos tributos sobre o consumo. A mudança não é para amanhã, mas mexe no caixa de quase toda empresa que vende para outras empresas, e é melhor se preparar com tempo.

O que é o split payment

Split payment significa “pagamento dividido”. Quando uma empresa paga outra por meio eletrônico, o sistema financeiro separa automaticamente o valor da CBS e do IBS daquela operação e envia direto ao fisco. O fornecedor recebe o valor líquido.

A previsão está nos artigos 31 a 33 da Lei Complementar nº 214/2025, que regulamentou a Reforma Tributária. O objetivo é reduzir a sonegação e a inadimplência de tributos.

Um detalhe importante: a retenção só acontece sobre o que ainda não foi quitado. Se o tributo daquela venda já tiver sido pago antes ou compensado com créditos da própria empresa, o split não precisa reter de novo.

Quando começa

Segundo a Receita Federal, o cronograma é este:

  • 2027: início gradual e facultativo, com o sistema disponível a partir do segundo semestre. Nessa fase, as empresas escolhem em quais operações usar.
  • Depois: a obrigatoriedade virá quando os meios de pagamento estiverem prontos. A Receita já falou em 2028, mas ainda não há data definida em norma.

Enquanto o split não for obrigatório, a CBS e o IBS são pagos da forma tradicional, por guia.

Quem é afetado

  • Operações entre empresas (B2B): quando quem paga e quem recebe têm CNPJ.
  • Vendas para pessoa física: ficam de fora nessa fase.
  • Simples Nacional: pode ter split nas suas vendas para outras empresas.
  • MEI: fica de fora, porque não recolhe CBS e IBS sobre as vendas.

Quais meios de pagamento entram

Na primeira fase entram as transferências e cobranças eletrônicas entre empresas: TEF, TED, boleto e Pix. Cartões de crédito e débito, vales, criptomoedas e pagamentos não eletrônicos ficam fora no início.

O impacto no caixa da empresa

Hoje, a empresa vende, recebe o valor cheio e só paga os tributos no mês seguinte. Na prática, esse imposto fica alguns dias no caixa e muita empresa conta com ele para pagar fornecedores e salários.

Com o split payment, essa folga diminui: o tributo sai no momento do recebimento. Para quem trabalha com caixa apertado, a diferença pode ser grande. Por isso, a preparação passa por três pontos:

  1. Revisar o fluxo de caixa considerando que a parte da CBS e do IBS não vai mais ficar disponível até o vencimento da guia.
  2. Revisar preços e prazos com clientes e fornecedores, olhando o valor líquido que vai entrar de fato.
  3. Organizar os créditos: na CBS e no IBS, o crédito do comprador depende de o tributo do fornecedor ter sido pago. Empresa com cadastro, notas e apuração em ordem aproveita melhor esses créditos.

Também muda para quem compra

A partir de 2027, a regra de créditos da CBS e do IBS fica ligada ao pagamento: o comprador só aproveita o crédito quando o tributo do fornecedor tiver sido quitado. Escolher fornecedores organizados e com notas corretas passa a ter peso no custo final.

O que fazer agora

  • Entender quanto do seu faturamento vem de vendas para outras empresas e por quais meios você recebe.
  • Simular o caixa com a retenção na hora do recebimento.
  • Avaliar com a contabilidade se o regime tributário atual continua sendo o melhor com as regras da CBS e do IBS. Para empresas do Simples que vendem para outras empresas, essa análise é especialmente importante.
  • Conferir se o sistema de emissão de notas e o banco já estão se preparando para o novo modelo.

Como a Soma ajuda

A Soma acompanha a Reforma Tributária de perto e faz com os clientes a revisão do regime e a simulação de cenários, considerando a CBS, o IBS e o impacto no caixa. Se você quer saber como o split payment vai afetar a sua empresa, fale com a gente.

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Perguntas frequentes

O split payment é um imposto novo?

Não. É uma forma de recolher a CBS e o IBS, que substituem tributos atuais sobre o consumo. O que muda é o momento e o jeito de pagar.

Minha empresa é do Simples. Preciso me preocupar?

Sim, se você vende para outras empresas. Empresas do Simples podem ter split nessas operações. Vale analisar o impacto no caixa e, com a contabilidade, se o regime continua sendo o mais adequado.

Vendas no cartão entram?

Na primeira fase, não. Cartões ficam fora do início, assim como criptomoedas e pagamentos não eletrônicos.

Já preciso mudar alguma coisa em 2026?

Não há obrigação de split em 2026. Mas é o momento de organizar cadastros, notas e o fluxo de caixa para chegar preparado em 2027.

Fontes: Lei Complementar nº 214/2025, arts. 31 a 33; Receita Federal, cronograma do split payment (setembro/2026). Conteúdo informativo, atualizado em outubro de 2026; as regras podem mudar.

Por Soma Contabilidade · contabilidade em Ipatinga e Belo Horizonte desde 2006.